"GOTAS DE HIEL" - Gabriela Mistral
No me cantes: siempre queda
a tu lengua apegado
un canto: el que debió ser entregado.
No beses: siempre queda,
por maldición extraña,
el beso al que no alcanzan las entrañas.
Reza, reza que es dulce: pero sabe
que no acierta a decir tu lengua avara
el sólo Padre Nuestro que salvara.
Y no llames la muerte por clemente,
pues en las carnes de blancura inmensa,
un jirón vivo quedará que siente
la piedra que te ahoga
y el gusano voraz que te destrenza.
"Gotas de fel"
(Tradução/transcriação de Adriano Nunes)
Não me cantes: sempre fica
à tua língua atado
um canto: o que devia ser doado.
Não beijes: sempre fica,
por maldição estranha,
o beijo a que não chegam as entranhas.
Reza, reza que é doce: mas constata
que não pode dizer tal língua avara
o único Pai Nosso que salvara.
E não chames a morte por clemente,
pois nessas carnes de brancura imensa,
um resto vivo ficará que sente
a pedra que te afoga
e a lombriga voraz que te destrança.
In: "GABRIELA MISTRAL & CECÍLIA MEIRELES; GABRIELA MISTRAL Y CECÍLIA MEIRELES". Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Santiago de Chile: Academia Chilena de La Lengua, 2003.
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